09/03/2010

Cartas-I

Dizemos constantemente:
"Vive o dia como se fosse o último"
Mas a verdade é que raramente o fazemos, pensamos sempre que temos mais um dia, mais uma hora, mais uns minutos...
E nessa pseu-do certeza dizemos sempre um "até logo", um "até amanhã" ou um "até depois"; nunca dizemos um "adeus".

Já tenho mais de 3 décadas de tudo um pouco e já não sei chorar quase nada.
A verdade é que achamos sempre que perdemos alguma coisa quando nem sempre isso é verdade.
E este é apenas mais um dia.
E por isso fica a memória de muitos outros num adeus perpétuo.
E por mais um dia tento escrever várias vezes um fim, até que me apercebo de que um fim será sempre um fim...
E nunca quis dizer adeus,
Hazta.

...

Troca cada lágrima por uma rosa,
Cada saudade por uma orquidea,
Cada insegurança por um cravo,
cada adeus por uma tulipa.
Troca cada grito por um girassol,
cada erro por um lírio
Ou troca cada flor dessas por outras que gostes.
E imagina só que jardim não daria...

Pluralidades

Posso ser tudo, só não posso ser o que não sou.

Rain

No vidro escorre a chuva
das lágrimas que já não caem e cada frase que se perdeu nas lágrimas que caíram.
Não há nada escrito no passado que não fosse um futuro.
No presente...
apenas os ecos continuam.

07/03/2010

30'

Desliga-te de tudo/e/
relembra o último nascer do sol que viste realmente.
Desliga-te de tudo /e/
Ouve o som das gaivotas que passam.
Desliga-te de tudo /e/
Repara nos novos reflexos de luz no rio cinzento.
Desliga-te de tudo /e/
Nada na onda antes que ela páre na areia.
Desliga-te de tudo /e/
Toca a estrela onde te pedi em desejo.
Desliga-te de tudo /e/
imagina as linhas das nossas mãos a tocarem-se.
Desliga-te de tudo /e/
Levita no meu pensamento.

Séculos à parte

Venho de outro século em que
Se odeia a cobardia,
Venho de outro século em que
as pessoas se enfrentam,
se amam,
se detestam,
ou lutam.
Venho de outro século,
de uma época em que
ainda se chorava,
ainda se corava,
ainda se amava
incondicionalmente.
E desse século resta a esperança
de um passado que tantas vezes se repete.
E desse século que nos separa
resta a vontade impertubável
de poder misturar o tempo.

02/03/2010

...

Vidros quebrados
nos imperfeitos
ou solidez de sentimentos.
Para olhares o mundo a cores
falta-te o neutro e retoques de nadas,em que precisarias quebrar regras.